Inflação ‘encolheu’ carrinho de compras do curitibano no supermercado nos últimos dois anos

Uma imagem vale mais do que mil palavras e também mais do que um monte de números.
Foi com isso em mente que A Gazeta resolveu ilustrar, de maneira simples e didática, o quanto a inflação ‘comeu’ do seu poder de compra nos últimos dois anos, entre fevereiro de 2020 (antes da pandemia do novo coronavírus atingir os brasileiros mais intensamente) e maio de 2022.
Nesse período, o preço de alimentos básicos teve alta média de 76% em Curitiba.
Nalguns casos, como o do café e do óleo de soja, a variação de preços superou o 100%, ou seja, o custo do produto mais do que dobrou.

Para montar o retrato sobre os itens do nosso dia a dia que ficaram mais caros nos últimos tempos, a reportagem apelou para dois bancos de dados diferentes, ambos alimentados pela Prefeitura de Curitiba. Um deles é o Disque Economia, atualizado até março de 2020 e que consultava e registrava o preço de 302 itens que eram coletados em diferentes supermercados de Curitiba. O outro é o Clique Economia, lançado no começo de março do ano passado e que, na prática, veio para substituir o serviço anterior do município.

Foram levantados, então, os preços de nove produtos diferentes que compõem a cesta básica em duas datas diferentes (28 de fevereiro de 2020 e 4 de maio de 2022). Os produtos escolhidos foram os seguintes: óleo de soja, arroz parboilizado, leite longa vida integral, carne bovina, feijão preto, açúcar refinado, farinha de trigo, café e ovos. Para estabelecer o comparativo entre os dois períodos, analisou-se os dados coletados de supermercados pesquisados nas datas referidas, sempre se considerando os menores preços, independentemente da marca.

Os dados revelam que, em média, o preço dos alimentos teve alta de 75,7% no período analisado, sendo que todos os itens pesquisados tiveram alta considerável no período, com variações de +31,22% até +165%. A escalada de preços foi liderada pelo óleo de soja, cuja lata de 900 ml passou de R$ 3,77 para R$ 9,99; na sequência vem o café, com o pacote de 500 gramas do produto registrando salto de 123,4% (subindo de R$6,89 para R$ 15,39); o açúcar refinado (pacote de 1 quilo), que ficou 81,8% mais caro nos últimos dois anos (passando de R$ 2,40 para R$ 4,37); o leite longa vida integral (caixa de 1 litro), com alta de 75,9% (de R$ 2,71 para R$ 4,76); e a carne bovina (patinho sem osso), cujo preço do quilo subiu 72,2% (de R$ 26,40 para R$ 45,45).

Por fim, para ilustrar o quanto o poder de compra foi corroído entre fevereiro de 2020 e maio de 2022, o Bem Paraná foi até um mercado e montou dois carrinhos de compra, um mostrando quantos produtos seriam adquiridos com R$ 130 em 2020 e outro mostrando o quanto seria possível adquirir de alimentos com o mesmo valor em 2022.

Há dois anos, uma pessoa com R$ 130 sairia do mercado com: 2 latas de óleo de soja; dois pacotes de arroz; duas caixas de leite; 2 quilos de carne; dois pacotes de feijão; dois pacotes de açúcar; dois pacotes de farinha de trigo; dois pacotes de café; e duas caixas de ovos.

Hoje, com o mesmo montante, alguém conseguiria comprar: uma caixa de óleo de soja; dois pacotes de arroz; uma caixa de leite; um quilo de carne bovina; um pacote de feijão; um pacote de açúcar; um pacote de farinha de trigo; um pacote de café; e uma caixa de ovos.

Perspectiva é ruim para os próximos meses

Para aqueles que esperam um alívio no bolso, as perspectivas não são positivas. É que a guerra entre Rússia e Ucrânia persiste, o que deve seguir deflagrando mais efeitos na já combalida economia brasileira. Como russos e ucranianos são grandes exportadores de trigo, por exemplo, a tendência é o pão nosso de cada dia ir ficando cada vez mais caro. Além disso, a Rússia também é responsável por 8% do petróleo em todo o mundo e a redução dessa participação deve pressionar o preço da gasolina e do diesel em território brasileiro.

Economista e coordenador do curso de Ciências Econômicas da PUCPR, Jackson Teixeira Bittencourt explica que a inflação atinge a todos, independente da classe social. Entretanto, são aqueles com menor renda os que mais sofrem, na prática. “Estamos empobrecendo a nossa população, mais do que ela já era”, comenta.

Como não há, ao menos por ora, qualquer perspectiva de melhora no quadro econômico, a saída para a população é pesquisar bastante antes de ir às compras e também procurar substitutos na alimentação. “A inflação, além de provocar aumento nos preços, gera uma distorção nos preços. Tem um mesmo produto, de uma mesma marca, e vai encontrar com diferença de até 500% no preço pesquisando. Outra saída é substituir os produtos que estão subindo muito, e a internet ajuda muito nisso, tem muita dica, coisa legal para fazer essa substituição”, orienta o economista.

Evolução do preço médio de alimentos básicos em supermercados de Curitiba entre 2020 e 2022

(Preços pesquisados nos dias 28/02/2020 e 04/05/2022, através do Disque Economia e do Clique Economia, da Prefeitura de Curitiba)

Óleo de soja
(lata de 900 ml)
2022: R$ 9,99
2020: R$ 3,77
Variação: +164,99%

Arroz Parboilizado (pacote de cinco quilos)
2022: R$ 17,85
2020: R$ 11,35
Variação: +57,22%

Leite longa vida integral (caixa de um litro)
2022: R$ 4,76
2020: R$ 2,71
Variação: +75,86%

Carne bovina
Patinho sem osso
(Granel um quilo)
2022: R$ 45,45
2020: R$ 26,40
Variação: +72,19%

Feijão preto
(pacote de um quilo)
2022: R$ 7,05
2020: R$ 4,35
Variação: +62,07%

Açúcar refinado
(pacote de um quilo)
2022: R$ 4,37
2020: R$ 2,40
Variação: +81,76%

Farinha de trigo
(pacote de um quilo)
2022: R$ 4,46
2020: R$ 2,71
Variação: +64,40%

Café a vácuo
(pacote de 500 gramas)
2022: R$ 15,39
2020: R$ 6,89
Variação: +123,37%

Ovos
(caixa com uma dúzia)
2022: R$ 8,49
2020: R$ 6,47
Variação: +31,22%