Os rios estão desaparecendo na China, mas a construção de canais não é a solução

Ex-primeiro-ministro chinês afirmou que a escassez de água ameaça a existência da nação chinesa (Reprodução/Rex Features)

Ex-primeiro-ministro chinês afirmou que a escassez de água ameaça a existência da nação chinesa (Reprodução/Rex Features)

Os níveis das reservas aquíferas da China estão perigosamente baixos. Enquanto o sul é uma região viçosa e cheia de lagos, o norte – que conta com metade da população e a maior parte das terras cultiváveis – assemelha-se mais a um deserto. A definição internacional de estresse de água é de 1.000 metros cúbicos de água utilizável por pessoa por ano. O chinês que habita a região norte, em média, tem acesso a menos de um quinto desse volume. A China tem 20% da população mundial, mas apenas 7% da água doce. Wen Jiabao, ex-primeiro-ministro, já afirmou que a escassez de água ameaça “a existência da nação chinesa”.

A escassez está se agravando porque a água da China está desaparecendo. Nos anos 50 o país contava com 50.000 rios com área de abrangência de 100 quilômetros ou mais. Agora este número caiu para 23.000. A China perdeu 27.000 rios, em sua maior parte devido à exploração excessiva por fazendas ou fábricas.

A escassez de água impõe custos altos. A China está esperando por uma revolução do gás de xisto, mas não tem água o suficiente para realizá-la, uma vez que a maior parte das reservas de gás se encontra nas áreas secas do país. O Banco Mundial estima que o custo dos problemas de água da China – em sua maior parte graças a danos à saúde – seja equivalente a 2,3% do PIB do país.

A solução errada

O governo está abordando o problema de água a partir da ponta errada. Represar ou desviar rios só lida com a oferta – aumentar o total de água disponível por meio da captura de um volume maior da água que flui por rios ou transferir água de um rio para o outro. O governo faria melhor em focar na demanda, reduzindo o consumo de água de modo a fazer um uso melhor de recursos limitados. A água é barata demais na maior parte das cidades, e geralmente custa um décimo dos preços europeus. Tal precificação inadequada resulta em extravagância. O setor industrial não recicla água o bastante; a agricultura gasta água demais. Preços mais altos de água aumentariam os custos para fazendas e fábricas, mas issoseria melhor que gastar bilhões transportando água pelo país.

Fontes: The Economist-Desperate measures