Atual teto da dívida americana fixado em R$ 36,8 trilhões foi superado em maio deste ano

Mais de 800 mil funcionários públicos se encontram em férias forçadas e não-remuneradas por falta de acordo sobre orçamento

Mais de 800 mil funcionários públicos se encontram em férias forçadas e não-remuneradas por falta de acordo sobre orçamento

O presidente norte-americano, Barack Obama, endureceu seu discurso em relação aos republicanos diante da paralisia das negociações no Congresso sobre o limite legal da dívida, com a aproximação da data que poderia marcar, se não houver acordo, o primeiro calote financeiro na história do país.

Obama tentou tranquilizar os credores de seu país e afirmou na terça-feira (8), em coletiva de imprensa na Casa Branca, que os Estados Unidos “sempre pagaram suas dívidas” e continuarão fazendo isso.

 

Obama exige que o Congresso encerre a “paralisação imediatamente”

Os líderes mundiais “não prestam atenção só no que digo, mas ao que o Congresso faz e, no fim das contas, dependerá do presidente da Câmara [John] Boehner” se esse limite é elevado ou não, disse Obama, em meio a uma disputa com os republicanos do Legislativo.

Os EUA precisam emitir nova dívida para se financiar, mas nem a oposição republicana nem os democratas parecem dispostos a ceder e o bloqueio persiste.

Obama disse que uma moratória dos EUA seria muito pior que o atual fechamento dos serviços públicos que o país enfrenta por falta de uma lei de Orçamento e sustentou que a situação “prejudica a credibilidade” da nação no mundo.

“O fechamento [dos serviços públicos] é imprudente”, mas o problema que causaria se os “EUA entrassem em default seria dramaticamente pior”, acrescentou.

A rejeição a um acordo e a ausência de negociações entre os dois partidos, causam pessimismo a nove dias [ontem] da data crucial de 17 de outubro.

Passada essa data e sem aumento do teto da dívida, atualmente de R$ 36,8 trilhões (US$ 16,7 trilhões) e já superado em maio, os EUA não poderiam emitir dívida nem devolver dinheiro a alguns credores em função dos limites atuais dispostos pelo Congresso.

A Casa Branca, analistas e organismos como o FMI multiplicam suas advertências sobre o potencial impacto deste cenário: alta das taxas de juros, um retorno à recessão e um duro golpe à economia mundial.

Obama pediu ao presidente da Câmara de Representantes para submeter à votação o aumento do teto da dívida rapidamente, com o argumento de que vários republicanos votariam a favor.

Os democratas controlam o Senado, o que indica que essa medida seria aprovada na Câmara alta.

Contudo, Boehner rejeita essa alternativa e exige concessões do Executivo em matéria de gasto social, particularmente sobre a reforma da Saúde promulgada em 2010.

Obama reiterou que não negociará sobre essas bases.

“Ao se recusar a negociar, [o líder democrata do Senado] Harry Reid e o presidente colocam nosso país em um caminho perigoso”, sustentou Boehner na terça-feira.

Enquanto isso, cerca de 900 mil funcionários públicos federais se encontram de férias não remuneradas, porque o Congresso não aprovou um Orçamento que lhes permita realizar pagamentos para o ano fiscal 2013-2014.

Crise política se repete

Um episódio similar sobre a dívida aconteceu em 2011 quando os republicanos recuperaram o controle da Câmara, o que custou aos EUA sua qualificação triplo A da Standard and Poor’s para sua dívida soberana, a máxima do mundo.

Wall Street e os mercados mundiais estão nervosos com a aproximação da data limite.

O crescimento e o emprego não se recuperaram plenamente desde a recessão de 2007-2009, e desde março houve cortes importantes do gasto público também pela falta de acordo no Congresso.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou na terça-feira sobre os riscos de degradação da economia dos Estados Unidos e cortou sua previsão de crescimento para o país para 2013 e 2014.

O FMI reduziu em 0,1 ponto percentual sua previsão de expansão do PIB norte-americano para este ano, a 1,6%, e de 0,2 ponto para 2014, a 2,6%, em relação a seus prognósticos de julho. Estas estimativas refletem os cortes “prolongados” do gasto público nos Estados Unidos.

“Apesar de um potencial de melhora, os riscos de degradação da economia são consideráveis”, resumiu o FMI, destacando que a demanda interna norte-americana se fragilizou, devido ao impacto de um aumento de impostos e cortes orçamentários.

O FMI considera que os cortes orçamentários custarão 1,75 ponto percentual de crescimento em 2013 para a maior potência mundial.